Nesta edição, o Prêmio FNA 2025 homenageia o projeto Canteiro Experimental ArqViva, idealizado pelo bioarquiteto Filemon Tiago. A iniciativa nasceu com o propósito de construir uma creche comunitária para atender a Ocupação Urbana Alto da Boa Vista de Aparecida, em Goiânia (GO), por meio de parcerias e de um curso de bioconstrução aberto à comunidade e a estudantes de arquitetura e engenharias.
Durante as atividades, a participação das crianças locais chamou a atenção dos organizadores, que decidiram ampliar o projeto. Passaram então, a desenvolver oficinas paralelas voltadas a elas, explorando de forma lúdica temas como o trabalho coletivo, a responsabilidade social, a representatividade, as questões ambientais ligadas à construção e o papel social do arquiteto.
Com base em soluções criativas inspiradas no conhecimento ecológico tradicional e no uso de materiais naturais em construções civis, o projeto estimula a reflexão sobre sustentabilidade e gestão de resíduos. As crianças aprendem, na prática, a produzir adobe, taipa, reboco e tintas naturais, compreendendo conceitos como conforto térmico e luminoso, salubridade das edificações e prevenção de doenças relacionadas ao ambiente doméstico.
O Canteiro Experimental ArqViva também transforma a experiência de estudantes e profissionais de arquitetura e engenharia, ao aproximá-los da realidade das comunidades e promover o aprendizado para além da universidade. A iniciativa reafirma a importância de levar a arquitetura a quem mais precisa, atuando nos três pilares da sustentabilidade: social, ambiental e econômico, e mostrando como o projeto pode melhorar moradias e fortalecer vínculos comunitários.

O sucesso da experiência em Goiás impulsionou sua expansão para outros estados do país. No Pará, em São Geraldo do Araguaia, o projeto resgatou práticas de turismo de base comunitária junto a uma comunidade ribeirinha, ensinando técnicas como o tijolo ecológico, o adobe, o reboco e a tinta natural. No quilombo de Curiaú, no Amapá, foram aplicadas técnicas de taipa de mão, tinta e reboco natural.
“Nosso objetivo é relembrar”, resume Tiago. “Resgatamos uma arquitetura vernacular, que faz parte da nossa humanidade, e a tornamos acessível a quem não tem condições de construir com a arquitetura convencional. A terra é usada em muitos sentidos: há quem busque um contato mais consciente com ela, há quem valorize o conforto térmico e há quem veja na terra um material barato, abundante e profundamente simbólico.”




